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O Espiritismo segundo Chico Xavier

DA REDAÇÃO

Em que aspecto Francisco Cândido Xavier contribuiu com a Doutrina Espírita? De que tratam os 452 livros psicografados por ele? Pode-se considerá-lo como continuador de Allan Kardec? São perguntas obrigatórias enquanto lembramos, respeitosos e um pouco reverentes, do maior médium brasileiro. Isso porque não devemos transformá-lo em mera referência de bondade e ética para nos comover.

Se pensarmos somente em “seu” primeiro livro, “Parnaso de Além-Túmulo”, mais que uma compilação literária, é demonstração abundante de que há vida após a morte, que os espíritos continuam com suas mesmas individualidades, e que podem se comunicar com os vivos. É quase como uma experiência de laboratório, onde o pesquisador busca e encontra as provas da verdade – não necessariamente do que gostaria de provar.

Depois de doze anos, Chico começa a psicografar uma série de dezesseis livros que virão a ter uma grande importância para o nosso conhecimento do mundo espiritual. Assinada pelo espírito André Luiz – que muitos gastam seu tempo procurando demonstrar que foi uma ou outra personalidade conhecida do mundo –, a série trata de uma descrição detalhada do mundo espiritual, o que lhe valeu o codinome de “repórter do mundo espiritual”.

Com Emmanuel, considerado o espírito protetor do médium, pudemos conhecer a profundidade da filosofia e da religião espíritas. Dois livros de sua autoria destacam-se: “O Consolador”, em que Emmanuel responde sobre os mais diversos assuntos da vida, desde as artes até as ciências, passando pela mediunidade e pela ética; e “A Caminho da Luz”, um tratado histórico da trajetória humana, com uma ampla visão espiritual sobre o passado e o futuro. Não esquecendo, claro, dos chamados romances, grandes clássicos da literatura espírita, entre os quais se destaca o belíssimo “Paulo e Estêvão”.

Inúmeras mensagens de orientação moral também compõem a produção mediúnica de Chico Xavier, além da série de quatro livros em que Emmanuel, inspirado, disserta sobre os ensinamentos de Jesus e dos apóstolos.

Nesse breve resumo, como Chico Xavier colaborou para que o Espiritismo resultasse no que se observa hoje?

Em primeiro lugar, desde Allan Kardec, são livros intelectualmente ricos. A linguagem, o conteúdo e a apresentação, na análise de estudiosos da religião, atendem a um racionalismo que vai conviver com o progresso intelectual. A busca de explicações para a vida e para o destino, sem dogmatismo, encontra-se satisfeita na Doutrina Espírita, continuada e expandida por Chico Xavier.

Não bastava, porém, simplesmente afirmar que há vida após a morte. Essa tese é universal. A questão é: como é a vida “lá”? Os modelos mitológicos de céu e inferno já não serviam mais. André Luiz propõe a revisão desse conceito, confirmando que nossos valores estão invertidos: o mundo espiritual vem primeiro, e comanda o mundo físico. Demonstra, entretanto, que a vida não dá saltos, e para isso o mundo espiritual deve ser bem parecido com o mundo físico. Tão parecido que nós somos a mesma personalidade depois da morte, com todas as nossas virtudes e defeitos.

Enquanto as inúmeras mensagens de diversos espíritos reforçam as atitudes importantes para um mundo melhor – perdão, paciência, solidariedade, caridade –, Emmanuel vem mostrar, utilizando sua própria experiência, a lei de causa e efeito ao longo do tempo.

É possível observar e concluir sobre o alcance delineado na missão de Chico Xavier na divulgação e popularização do Espiritismo.

O esclarecimento sobre o mundo espiritual e sua relação com os homens; o estímulo constante à atitude cristã e a exemplificação do efeito do passado no presente. Esses conceitos, que estão intrinsecamente ligados, formam o paradigma espírita, o padrão de pensamento, o mapa que guia o adepto do Espiritismo ao seu progresso pessoal.

Nenhuma diferença ou conflito se vê aqui entre Kardec e Chico Xavier. Emmanuel tratou logo de avisar Chico, no início de suas parcerias: se um dia ele, Emmanuel, dissesse algo que contrariasse Kardec, Chico deveria permanecer com Kardec, e procurar esquecer o parceiro.

Não foi necessário.

É por isso que não existe um Espiritismo segundo Chico Xavier – e tampouco um evangelho, ainda que pareça apenas licença poética –, porque Chico Xavier apoia todo seu trabalho mediúnico na orientação espírita.

O que se vê, com a contribuição insubstituível de Chico, é o Espiritismo completamente inserido em nossas vidas, seja na morte que visita nossas casas, seja na mediunidade que nos amplia os horizontes do mundo. Ou na solidariedade que se torna obrigatória enquanto ainda se observar fome de pão ou de luz no mundo.

O Espiritismo com Chico Xavier é algo natural, abrangente, humano e ao mesmo tempo simples. E mais: perfeitamente realizável em nossas vidas.