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Sobre casais que não têm filhos

POR CéLIA ELMY

“Filhos? Melhor não tê-los. Mas se não tê-los, como sabê-los?”

Vinicius de Moraes

A taxa de fecundidade no Brasil vem decrescendo. Em alguns países ela é negativa, insuficiente para repor os pais, como na França, que adota política governamental de incentivo e benefícios aos casais que queiram ter filhos.

Tenho encontrado aqui na terra nossa muitos casais que não querem ter filhos. Estranhei porque considero a maternidade a coisa mais deslumbrante que já me aconteceu, a minha realização como mulher, e meus filhos, o tesouro mais precioso que Deus me concedeu.

Conversando com esses casais descobri as mais diversas razões: alguns ainda não se decidiram. No momento alegam falta de estrutura e estrutura significa: comprar ou terminar a casa, mobiliá-la, decorá-la, acabar de pagar o carro, trocar de carro, comprar uma casa na praia, querem viajar para o Brasil e para o exterior, terminar a faculdade, fazer pós-graduação, realizar-se profissionalmente, etc. O problema é que já vi alguns que, após conquistarem tudo isso, eles próprios é que não tinham mais estrutura para ter um filho, estavam velhos e uma criança não cabia mais em suas vidas.

Outros não querem mesmo, nem agora nem nunca. Os motivos? Estão bem assim, têm um ao outro, sua vida está boa, não querem ter a trabalheira que uma criança dá, preferem ter um cãozinho.

Muitos estão assustados com os “monstrinhos”, filhos de seus amigos ou parentes, crianças insuportáveis, sem limites. Ou assustados com o excesso de lamentações dos pais com quem convivem: acordar de noite pra cuidar da criança, trocar, alimentar, dar banho, vestir, levar pra passear, pra escola, medicar, etc.

Outros não querem “pôr uma criança num mundo desses”.

Vejamos o primeiro argumento: a estrutura. Não estamos incentivando a irresponsabilidade no planejamento familiar. Uma criança planejada e esperada é o ideal. Mas, pensemos como espíritas: o que querem os espíritos com os quais nos comprometemos receber em nosso lar como filhos antes de reencarnarmos, uma casa bonita ou a chance de voltar pra Terra? Nós, que já temos uma visão além da matéria, não podemos adiar indefinidamente a paternidade/maternidade. Eles, muitas vezes, necessitam renascer naquele contexto histórico para cumprirem suas tarefas, ou alcançar seus objetivos, ao lado de tais e tais pessoas que estarão reencarnando naquele momento. Se já temos o básico, não vamos esperar pelo supérfluo.

Segundo motivo: têm um ao outro. Até quando? Às vezes o amor não passa de um egoísmo a dois. Quando um casal se fecha em sua felicidade e não se abre nem para receber um filho de sua própria carne – naturalmente não estão incluídos aqui aqueles que dedicam a vida à humanidade –, a vida se encarrega de despertá-los para realidades mais nobres através de dolorosas desvinculações.

Terceiro motivo: as crianças insuportáveis e o trabalho. Que uma criança dá trabalho, dá, e principalmente nos primeiros anos, uma canseira miserável, mas essa fase passa e as alegrias ficam. Você esquece a exaustão no momento em que é enlaçada por uns bracinhos fofuchos acompanhados por uma boquinha encantadora que te chama de mamãe, ou papai. “Ah, mas depois cresce e ninguém agüenta”, argumentam alguns. Isso se permitirmos. A Doutrina Espírita e a psicologia têm recursos eficazes para nos auxiliar em nossa tarefa de pais.

Quando eu comentava, toda animada, a alegria que meus filhos me davam, sempre tinha alguém pra dizer: “Espera só, você não viu nada. Na adolescência eles vão te dar trabalho”. Fiquei mesmo meio preocupada porque todo mundo se queixa tanto dos filhos nessa fase... Ela veio e passou e eu me admirei pela serenidade com que passaram por ela. Hoje são meus amigos, meus companheiros de trabalho, tanto em casa como no centro espírita. Longe, longe de mim me considerar como modelo do que quer que seja, muito menos de mãe, mas fico feliz de ver que “acertamos a mão”, eu e o Sérgio, meu marido e, é lógico, também tem a parte deles próprios. Receita? Amor e disciplina e “Espiritismo na veia”. Acredito firmemente que a religião ajuda e muito a educar nossos filhos.

Quanto a “colocar uma criança num mundo desses”, a Doutrina nos fala da nova geração que está vindo. São os guerreiros da paz, os guardiães do futuro. São eles que irão modificar esse estado de coisas e fazer nosso mundo cumprir a destinação que lhe pertence, de paz, progresso e fraternidade.

Agora espero curiosa meus netos que virão.