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Divaldo Pereira Franco fala para 1.500 pessoas em Taubaté

POR RONI COUTO

Depois de 25 anos, Divaldo Pereira Franco esteve em Taubaté para uma grande conferência no ginásio do Sesi, em 22 de fevereiro.

O tema – a depressão – é obrigatório. Chamada de “mal do século”, a depressão atinge hoje 200 milhões de pessoas em todo o mundo. Divaldo ofereceu aos cerca de 1.500 presentes a contribuição espírita para a identificação das causas e a proposta de soluções.

Na ocasião, conversamos com o maior conferencista espírita da atualidade sobre diversos temas. Acompanhe a seguir suas opiniões que, sempre assertivas, confundem-se com a opinião da própria Doutrina Espírita.


PALAVRA ESPÍRITA O comportamento do jovem hoje tem recebido o status de normalidade, apesar de ser visivelmente nocivo para ele. Qual deve ser a atuação dos pais e educadores frente a essa situação?

DIVALDO FRANCO A problemática não é do jovem. É a perda de valores éticos de que padece a sociedade contemporânea. Vivemos um momento de grande transição, e nesse momento de transição, os valores fazem-se equivocados. O jovem é aquilo que dele fazemos através da educação. Naturalmente, os velhos padrões eram castradores. É necessário que haja uma renovação, sem que isto atente com as necessidades do progresso e a liberdade de consciência e ação.


PALAVRA ESPÍRITA Neste ano os espíritas irão comemorar os 150 anos de existência do Espiritismo. Nesse período, estamos conduzindo bem o movimento espírita no sentido de transformação da humanidade?

DIVALDO FRANCO Até onde eu possa alcançar, a programática da Doutrina Espírita vem sendo desenvolvida conforme as aspirações do mundo espiritual. É natural que todo e qualquer ideal, quando cresce em superfície, perde um pouco em profundidade, mas a preservação do patrimônio da Doutrina Espírita, que está inserto na Codificação, vem sendo preservado de maneira muito nobre, e acreditamos que após a celebração do sesquicentenário de “O Livro dos Espíritos”, continuaremos com melhores possibilidades, porque essa ampla divulgação irá sensibilizar a opinião pública para ter uma idéia mais consentânea com os valores da própria Doutrina Espírita.


PALAVRA ESPÍRITA O que hoje mais atrapalha o progresso do Espiritismo no mundo, enquanto cultura?

DIVALDO FRANCO Eu diria que aquilo que mais perturba o progresso em geral é o egoísmo da criatura humana. O egoísmo é o grande câncer que corrói o cerne da sociedade. Dessa forma, os outros valores negativos que dele decorrem criam embaraços a toda idéia que visa ao progresso. Como o Espiritismo é a doutrina que prepara a humanidade para o porvir, esse sentimento mórbido gera embaraços que de forma alguma impedirá o avanço dos postulados doutrinários.


PALAVRA ESPÍRITA O aspecto religioso do Espiritismo tem atrapalhado a condução das atividades espíritas? Nós deveríamos dar foco na questão doutrinária e no aspecto científico da Doutrina?

DIVALDO FRANCO É compreensível que uma pessoa que esteve vinculada a uma determinação denominação religiosa, quando muda para uma outra proposta filosófica, invariavelmente deseja implantar os velho hábitos na idéia nova. Essa aparente religiosidade que se traveste de mística e gera alguns bolsões de incompreensão faz parte do contexto, sem que de maneira alguma atrapalhe porque devemos considerar a necessidade de atender a todos e quaisquer tipos de criaturas humanas. Se ficarmos na preocupação elitista, não atingiremos a proposta evangélica de alcançar os menos aquinhoados nos valores sócio-econômicos e intelectuais. À medida que o indivíduo se depura, ele se liberta dos mitos e isso acontece como fenômeno natural do seu progresso intelecto-moral.


PALAVRA ESPÍRITA Com relação à comunicação religiosa atual, temos visto um estilo invasivo de comunicação, e às vezes vemos um estilo tímido, que pode tornar a comunicação desinteressante. Qual deve ser a nossa postura no envolvimento com a comunicação espírita, especialmente hoje, quando o acesso aos recursos têm se tornado mais fácil?

DIVALDO FRANCO A grande problemática é como usar os recursos que estão ao nosso alcance. O Espiritismo, como doutrina histórica, é muito jovem, 150 anos de um processo histórico-filosófico constitui um período relativamente pouco. Felizmente, os espíritas estamos vigilantes e estamos utilizando-nos de todos os veículos da mídia de maneira sábia. Aqueles que não dispõe de maiores recursos, e fazem-no timidamente, são pioneiros para o que vier depois. Allan Kardec propôs-nos que nos utilizássemos de todos os meios nobres ao alcance para divulgar o Espiritismo, e hoje estamos fazendo-o nos mais diferentes veículos de comunicação.


PALAVRA ESPÍRITA Há uma idéia no movimento espírita, que é atribuída a Bezerra de Menezes, conhecida por “atitudes de amor”, que tem causado um certo ruído doutrinária. Sem entrar no mérito da questão, nós deveríamos nos utilizar do controle universal para novas revelações, como utilizou Kardec?

DIVALDO FRANCO Nós não podemos impedir que cada médium publique o que lhe aprouver. Nem podemos impedir que do mundo espiritual venham pensadores vinculados a determinados hábitos na Terra. Se nós lermos a Doutrina com seriedade, sem os modismos, veremos que as atitudes de amor estão no Evangelho Segundo o Espiritismo. Afinal de contas, a base essencial da Doutrina é a caridade e sem o amor não há caridade. Mas, periodicamente, a criatura humana necessita de modismos para poder estimular-se e isso é inevitável no contexto da sociedade. Deveremos deixar que cada qual pense como lhe aprouver, mas o Espiritismo não anui com idéias esdrúxulas, exóticas ou individualistas.


PALAVRA ESPÍRITA No campo da assistência social, vivemos a eterna questão de dar o peixe ou ensinar a pescar. Se não ajudamos, dizem que não somos caridosos. Se ajudamos, dizem que não estamos erguendo a criatura. Qual deve ser a nossa atitude para não estimularmos uma atitude cômoda nas pessoas?

DIVALDO FRANCO Fazermos o bem, sem a exigência de observarmos os frutos do bem. Em um país como o nosso, no qual predomina a injustiça social e onde a miséria é alarmante e o índice de excluídos e daqueles que estão abaixo da linha da miséria constitui uma grande população, o nosso dever é socorrer agora. Se se trata de paternalismo, é uma visão do serviço social, mas nunca se deve falar de verdade, de amor, a quem está com fome. O primeiro gesto é minimizar a fome e depois estudar as causas geradoras da fome para poder erradicá-las. No Evangelho Segundo o Espiritismo, a questão está muito bem definida: transformai as vossas esmolas em salários. Mas até o momento de dar o salário, sustentemos o indivíduo para que ele não morra de fome ou não enlouqueça, partindo para a violência.


PALAVRA ESPÍRITA O espírito Vianna de Carvalho e outros espíritos assinam uma mensagem, bastante assertiva, intitulada “Campeonato da insensatez”. O risco descrito na mensagem, para o movimento espírita, é real? O que devemos fazer para evitar esses riscos?

DIVALDO FRANCO Na própria mensagem, o benfeitor espiritual faz uma análise das grandes problemáticas do momento e dos riscos que o movimento deste caráter pode sofrer. Mas ele dá, ao mesmo tempo, a receita para a preservação da pureza doutrinária e da sua aplicação: fidelidade ao texto da Codificação, vivência moral, através da qual a nossa conduta reflita o conteúdo da própria Doutrina Espírita. A proposta do espírito Vianna de Carvalho é resultado de uma larga observação que ele e outras entidades do movimento espírita no além vem observando, e a advertência é para impedir o agravamento de situações lamentáveis.


PALAVRA ESPÍRITA Deodoro da Fonseca, em uma mensagem sobre o Brasil, expõe um quadro bastante otimista sobre o nosso país, tanto do ponto de vista social e econômico quanto moral. Mas quando observamos os casos de corrupção e de falta de ética quase geral, parece haver uma contradição com o que Deodoro propõe. O que podemos fazer para que o cenário descrito por ele seja verdadeiro no futuro?

DIVALDO FRANCO Cada um de nós cumprir com o seu dever, sem preocupar-se com aquelas aberrações que são frutos de uma sociedade em transição. Se cada um de nós mantiver o valor moral e o princípio ético de respeito a si mesmo, ao próximo e à vida, estará dando a mais ampla contribuição.


PALAVRA ESPÍRITA Nesses seus 60 anos de atividades doutrinárias, o que mais tem trazido a você satisfação com relação à Doutrina Espírita?

DIVALDO FRANCO Contar incessantemente com a proteção do Senhor da Vinha, que jamais me deixou ao abandono, enviando-me os seus missionários para sustentar-me, criatura fraca que reconheço ser, na sementeira de uma era melhor.

Entrevista concedida por Divaldo Pereira Franco em 22 de fevereiro de 2007, antes de sua conferência no Sesi de Taubaté.


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